Francisco Braga
Victor Hugo Toro regente
Osesp
Gravado em setembro de 2008 na Sala São Paulo
Antônio Francisco Braga, o compositor do nosso Hino à Bandeira ―sobre versos de Olavo Bilac― por sua modéstia, sensibilidade e extrema competência, marcou, de forma indelével, o
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cenário musical brasileiro na primeira metade do século XX.
Tendo sofrido privações na infância e sido internado em um Asilo de Meninos Desvalidos aos oito anos, foi estimulado pelo diretor da instituição ao estudo do clarinete. Posteriormente, conseguiu realizar cursos de harmonia e contraponto. Cedo, começa a compor, além de dirigir a banda do asilo. Aos 19 anos, estréia sua primeira obra orquestral, a Abertura fantástica, no Theatro São Pedro, no Rio. Continuou atuando como mestre da banda e professor no asilo por mais alguns anos, quando, em 1890, é contemplado com uma bolsa de estudos para a Europa. Despede-se com carta ao diretor: “Como não seria grato quem, entrando pobre para um estabelecimento de caridade, sai rico de instrução e felicidade?…”
Na França, recebe o apoio de Jules Massenet, com quem estudou, após obter o primeiro lugar entre 25 concorrentes à admissão no Conservatório de Música de Paris.
A partir de 1895, apresenta suas composições na Galérie des Champs Elysées e em outras salas de concerto. Após estudar em Viena, fixa residência em Dresden, na Alemanha, onde se daria a possibilidade de apresentação de sua ópera Jupyra. Volta ao Brasil, ao ser convidado a encená-la durante as comemorações do IV Centenário do Descobrimento. Com grande sucesso, em 10 de agosto de 1900, deu-se a primeira récita de Jupyra, no Theatro Lírico do Rio. O público exigiu inúmeras reapresentações.
Compositor versátil, Francisco Braga exerceu a cátedra de contraponto, fuga e composição no Instituto Nacional de Música (atual Escola de Música/UFRJ), ao qual doou seus manuscritos. Fundador do Sindicato dos Músicos, atuou em diversas áreas da cultura. Regente e professor em orquestras civis e bandas de música militares, foi o primeiro maestro titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Ao festejar seu 63º aniversário, o compositor foi condecorado pelo governo francês com a Legion D’Honneur, no grau de cavaleiro.
O belo manuscrito da pavana Madrigal, datado de novembro de 1901, nos remete ao século XVI, quando essa dança se instituiu como a única forma musical que admitia música de câmara. A harmonia era franca e livre, sem artifícios estranhos, e as partes se moviam todas com igual independência umas das outras, o que permitia maior variedade na forma e no estilo. Foi a partir de então que, sob a influência do madrigal, se iniciou o rompimento dos laços que aprisionavam a música profana à música religiosa. Braga utiliza esses recursos de extrema liberdade em seu Madrigal, partindo da introdução, em Dó maior ―com insistência dos desenhos na dominante―, e resolvendo na tônica, que, por sua vez, será a dominante do tema principal, em Fá maior. Construído com singeleza, este Madrigal nos revela a própria essência da personalidade do seu compositor.
Maria Célia Machado é harpista, mestre em Educação pela UFRJ e integra o Trio D’Ambrosio e a Orquestra Brasileira de Harpas ―ambos projetos de sua autoria.
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